21 de mar. de 2011

#28 LETTER TO SOMEONE THAT CHANGED YOUR LIFE

Catarina e Joana,
Vocês mudaram a minha história.
Vocês são as minhas companheiras das gargalhadas, dos vídeos porno, das músicas sem nexo, das saídas à noite, dos movimentos de dança estranhos, dos filmes de terror, das idas à casa-de-banho juntas, das noites mal dormidas, das conversas super nojentas, das coscuvilhices, das compras, das vodkas e dos shots, das gomas e das batatas fritas, dos empréstimos de dinheiro, dos lanches em casa da Joana, dos quase-espetanços de mota na garagem,…
Tenho muitas saudades de quando me vinham buscar a casa de manhãzinha e íamos juntas para a escola. As coisas mudaram mas o que temos não mudou. Adoro quando, por sorte, uma vez por outra, ainda nos vemos às oito e vinte da manhã.
Já vos perdoei sem me pedirem desculpa. Vocês, fizeram o mesmo comigo.
«Não se ama pelas qualidades. Nem por isto ou por aquilo. Ama-se simplesmente, e sobretudo ama-se apesar deste e aquele defeito.» Vocês conhecem o pior de mim, e sabem… amigo mesmo é aquele que sabe o pior de ti e mesmo assim continua a gostar de ti. Vocês são assim, exactamente assim.
Vocês são como irmãs para mim e, sem dúvida, mudaram tudo.

«Algumas vezes na vida, encontras uma amiga especial. Alguém que muda a tua vida simplesmente por estar nela. Alguém que te faz rir até não poderes mais parar. Alguém que te faz acreditar que existe realmente algo bom no mundo. Alguém que te convence que lá tem uma porta destrancada só à espera para tu a abrires. Isso é uma amizade para sempre. Quando estás em baixo e o mundo parece escuro e vazio, a tua amiga para sempre põe-te para cima e faz com que o mundo escuro e vazio fique bem claro. A tua amiga para sempre ajuda-te nas horas difíceis, tristes e confusas. Se te virares e começares a caminhar, a tua amiga para sempre segue-te. Se perderes o teu caminho, ela guia-te e põe-te no caminho certo. A tua amiga para sempre segura a tua mão e diz que vai ficar tudo bem. A tua amiga é para sempre, e para sempre não tem fim.»

19 de mar. de 2011

-Ficas comigo?
-Fico.
-Até quando?
-Até sempre.
-És meu?
-Da cabeça aos pés.

Às vezes dizes-me as coisas mais lindas do mundo quando eu não estou à espera, e é disso que eu mais gosto em ti <3

#26 LETTER TO THE LAST PERSON YOU MADE A PINKY PROMISE TO

Não tenho destinatário para esta carta. Mil desculpas.

17 de mar. de 2011

O verbo desistir.


«Podias ter-me dito que ias sair da minha vida. A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância. Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo. Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir. Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem. Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina. Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias.»

Costuma-se dizer que tudo tem um fim. Este foi o nosso?

#25 LETTER TO THE PERSON YOU KNOW THAT IS GOING THROUGH THE WORST OF TIMES

Melhor amigo,
Eu sei que te fazes de forte, mas no fundo não estás nada bem. Quer dizer… tu és forte, muito forte. Mas isto não é fácil. A tua voz é a mesma, como se nada tivesse mudado. As tuas piadas, o teu orgulho e as tuas patetices também não mudaram. Achei estranho, mas…fiquei feliz.
Se tiveres que desistir, desiste. Se tiveres que esquecer, esquece. Mas não te preocupes, eu não vou embora nunca. No final, vais ter-me sempre a mim.
«Teu problema é meu problema e por isso a gente divide.»
Espero que ultrapasses tudo isto da melhor forma. Rápido. Tu sabes, sabes tão bem, que eu estou aqui para ti como sempre estive. Embora possa estar distante, vou continuar a abraçar-te cada vez que algo destrua as tuas muralhas.
Posso já ter perdido muito do que era meu, muito do que amava, menos tu. Tu vais pertencer-me sempre, tal e qual pertencias há um, dois, três, quatro, cinco, seis anos.
Tu sabes…ainda ninguém conseguiu fazer os meus olhos brilharem como só tu fazes.

P.S. Quem me dera estar contigo agora e dar-te o abraço mais forte que alguma vez dei.

15 de mar. de 2011

#24 LETTER TO THE PERSON THAT GAVE YOUR FAVOURITE MEMORY

Meus mais-que-tudo,

«Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo....
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
-Quem são aquelas pessoas?
Diremos...que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
-Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
 Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrima abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo... (...)»

Entendem agora qual é o meu maior medo? Tenho muito medo que não consigamos que tudo volte. Tenho medo que deixemos isto fugir-nos entre os dedos. Tenho medo que sejamos fracos e deixemos que isto siga o caminho mais fácil, o que nos dá menos trabalho.
Todo este tempo, vocês foram as minhas muralhas. Foram vocês que sempre me seguraram, que me deram a mão. Sempre vocês. O melhor da minha vida é a vocês que eu devo.
Espero por vocês porque tantos anos não se amachucam e se deitam no caixote do lixo. Até lá, guardo tudo. Porque, sem dúvida, os melhores momentos da minha vida foi convosco que os passei.
Não se esqueçam disto: ninguém é melhor do que vocês. Ninguém me faz sentir tão bem quanto vocês. Ninguém…

P.S. Quando é que me fazem sentir que são meus de novo? Eu tenho tantas saudades vossas.

(A foto tem quase dois anos mas foi a última que tiramos em que aparecem todos; Anabela Carvalho, Bruna Andrade, Vânia Amaral, Jorge Ferreira, Rui Correia e Alexandre Ribeiro)

14 de mar. de 2011

#23 LETTER TO THE LAST PERSON WHO YOU KISSED

Vânia,
Estranho, não? Mas, epá…beijas super bem môr!
Adoro quando acabas as minhas frases, adoro que me faças sentir segura, adoro abraçar-te, adoro confessar-te tudo, adoro quando entras na escola e me espetas um beijo na boca em frente ao porteiro da escola, adoro quando me beijas em pleno polivalente, adoro telefonar-te e vires quase a voar ter comigo, adoro quando me dás a mão às oito horas da manhã, adoro a forma como os teus olhos brilham quando me queres contar alguma coisa, adoro a cumplicidade que temos, adoro quando me perguntas “como estão as coisas?”, adoro a forma como te preocupas comigo como só tu fazes. Adoro, simplesmente, o facto de te ter todos os dias na minha vida.
Ama. Apaixona-te. Beija. Chora. Cuida de ti. Erra. Faz aquilo que mais temes. Grita. Importa-te menos. Junta amigos. Luta pelo que acreditas. Muda de opinião. Namora. Partilha. Sonha. Ri. Vive. Mas, por favor, faz tudo isso comigo ao teu lado.
Tens sido o meu porto de abrigo, sabes bem. Se te perdesse agora, perdia tudo.
Já passamos por coisas que pouca gente entenderá. As gargalhadas, os segredos, as confianças, os entendimentos. Tudo.
Deixas-me gritar ao mundo o quanto és importante para mim?

P.S. Se o Nuno vir isto pede o divórcio e já pudemos virar lésbicas!









«És todo o meu sorriso,
parte do meu coração,
não me deixes não,
agarra a minha mão.
(…)
Promete não fugir que eu prometo ficar,
promete sorrir e eu prometo não chorar,
promete-me que não me farás sofrer.
Não te vás embora baby,
sem ti eu não sei viver.
Baby fica, eu preciso de ti.
Sem ti fico confusa e eu não sei viver assim.»

13 de mar. de 2011

#21 LETTER TO SOMEONE YOU JUDGEG BY THEIR FIRST IMPRESSION

Catarina,
O teu nome foi o primeiro que me surgiu.
Lembras-te das patetices que fizemos, das criancices que dissemos, das discussões estúpidas que tínhamos, do que dizíamos uma da outra? Não fomos muito simpáticas e deixamos que muita gente se metesse no meio. Não foi nada bonito.
Resumindo, não éramos propriamente as maiores amigas.
Lembro-me daquela discussão como se fosse hoje. Tínhamos os olhos todos postos em cima de nós. Todos estavam à espera que desatássemos ao estalo e a puxar cabelos, típica discussão de raparigas. Mas não foi isso que fizemos. Dissemos coisas muito feias das quais nos viemos a arrepender.
Reparaste…quando toda a gente deixou de se preocupar em nos ver bem, nós, por nós próprias, resolvemos tudo. Sem interferências.
Desculpa e obrigada! :) 
Gosto muito de ti.

P.S. Tens um sorriso mesmo lindo!

12 de mar. de 2011

#19 LETTER TO SOMEONE THAT PESTER YOUR MIND - GOOD OR BAD

Querida Física A,
Lamento informar-te que andas a perturbar demasiado a minha mente. Mal, obviamente.
És muito irritante e estou farta que me obrigues a calcular energias cinéticas e energias potenciais e afins.
Não tens piada nenhuma e não preciso de ti para nada. Nada mesmo. Não tens interesse nenhum e a única função que te descobri até agora foi a destruição dos meus neurónios. Por favor, não o faças mais. Já chega!

P.S. No próximo ano, livro-me de ti. Ups.

10 de mar. de 2011

Aprendeste?

«Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus actos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos não existem, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!»

                                                                                                                                                                                   William Shakespeare.

9 de mar. de 2011

#18 LETTER TO THE PERSON YOU WISH YOU COULD BE

Querida pessoa que eu gostava de ser,
Eu queria ser como tu, sabes? Queria ser mais forte. Menos frágil.
Gostaria de olhar nos olhos de toda a gente e dizer-lhes tudo o que penso, todas as patetices que fizeram ou disseram sem ter receio da resposta. Gostava de falar-lhes das vezes que agiram mal e das vezes em que deixaram que agissem mal com elas. Gostava que, mais tarde, me pudessem dizer “Fizeste-me crescer”.
Gostava de ter coragem de, nos momentos mais difíceis, beijar alguém mesmo sabendo que não me ia beijar de volta. Gostava de ter estratégias inteligentes de forma a que ninguém pudesse quebrar o meu lado esquerdo do peito. Gostava de não confiar sempre. Gostava de deitar fora a ingenuidade e os medos. Gostava de, nem sempre, acreditar no Amor com A grande. Gostava de ter menos capacidade de entrega.
Gostava de voar bem alto, sem me preocupar com as expectativas que os outros pudessem colocar em mim. Gostava de conseguir ultrapassar todas as barreiras. Gostava de não falhar nunca. Gostava que tudo desse certo. Gostava de não cair. Gostava que me segurassem. Gostava de não ter dúvidas. Gostava de não ter medo de ter escolhido o caminho errado. Gostava de não dizer coisas de cabeça quente. Gostava de ouvir, respeitar e sentir. Gostava de não desistir à primeira contrariedade. Gostava de não ter medo de virar as costas.
Gostava de não sentir saudades de quem foi e não ficou. Gostava de conseguir segurar, de não deixar ir.
Enfim…ser como tu, literalmente.

«Se as coisas fossem perfeitas não existiriam lições de vida, não haveriam arrependimentos e nem descobertas... Se tudo fosse perfeito mãos não se uniriam e sonhos não seriam valorizados. Se tudo fosse perfeito olhares não se completariam, e gestos passavam despercebidos. Se tudo fosse perfeito as lágrimas não existiriam, as palavras seriam perfeitas. Se tudo fosse perfeito eu pularia no abismo sem medo da morte, pois asas eu ganharia... Se tudo fosse perfeito eu atravessaria o oceano sem medo de ser levada pelas ondas, sem receios de me perder em suas profundezas. Se tudo fosse perfeito dores não existiriam e a cura não seria procurada... Se tudo fosse perfeito não haveria a busca pela perfeição... Nada é por acaso, pois nem o destino é perfeito.»

6 de mar. de 2011

Guarda-me bem.

«Espera só mais um ou dois minutos, eterniza este abraço, grava-o na tua memória para que amanhã e depois, e depois te dê apoio e protecção, te faça sentir amado e desejado, como uma mãe que ama um filho, sempre e em silêncio, sem nunca perder a paciência, sem nunca cobrar, sem nunca pedir, só dar, dar, dar.
Espera ainda, esconde tudo, leva o meu cheiro para casa e esconde-o dentro de uma gaveta, não deixes que ninguém saiba que te quero e te desejo, não deixes que te falem de mim, não oiças o que os outros te dizem, eles não estão no meio de nós, ninguém está no meio de nós, só nós é que estamos aqui, a vida que vivemos é a nossa vida e não a que os outros querem que seja. Vive cada minuto intensamente e no maior segredo, faz como aquele poeta que só deixou que as suas palavras fossem lidas depois de morrer, para que ninguém o julgasse ou pudesse apontar-lhe o dedo.
Guarda-me bem, perto de ti, sempre perto, mesmo que eu não te veja ou tu não me fales, estarei ali, junto de ti, como Vénus sempre atrás da lua quando o dia cai e a noite se levanta, silenciosa, altiva, celeste e discreta. Deixa-me ficar aí, aí ninguém me vê, estou protegida pela discrição da noite, pelo silêncio dos pássaros que já dormem e não nos podem denunciar. Serei uma sombra, um suspiro, um sorriso, uma festa no teu cabelo.
E a minha presença, certa e segura junto ao teu coração, vai-te trazer de volta os sons das nossas conversas, a temperatura das nossas mãos entrelaçadas uma na outra, o sabor da minha boca na tua, o meu olhar dentro do teu como se nunca tivesse partido, como se nunca mais precisasses de voltar a essa estúpida rotina que nos rege os dias e as noites, e nunca mais te sentirás uma pessoa normal, igual às outras, porque é agora que podes ser dono da tua vida e do teu coração, é agora que tudo pode acontecer de outra forma e a vida se transformar em algo que sempre sonhaste!»


Guarda-me bem no lado esquerdo do teu peito. Foi isso que fiz contigo. E é lá que eu vou quando tu não estás cá <3

1 de mar. de 2011

#17 LETTER TO SOMEONE FROM YOUR CHILDHOOD

Bruna,
Não sei a data exacta do dia que nos conhecemos. Não sei quantos anos tínhamos. Não me lembro da primeira vez que te vi. Foi há quanto tempo mesmo? Doze anos? Provavelmente… As nossas mães trabalhavam juntas e eras a melhor amiga da minha irmã. Típico.
Tens mais três anos do que eu, mas sempre nos tratamos como se fossemos da mesma idade.
Lembro-me de irmos para a janela cá de casa rirmo-nos com o homem das cenouras. Lembro-me das tentativas de fazer almoços, em que a Loira queimava guardanapos. Lembro-me de dormir encostada a ti no carro. Lembro-me de criarmos as nossas próprias histórias e alterar o guião. Lembro-me da minha mãe ralhar comigo por eu te ter chamado Bruna Pina (juro que não foi por mal). Lembro-me das milhares de gargalhadas que demos que nos fizeram doer a barriga. Lembro-me de comermos cerejas juntas. Lembro-me das idas a Espanha, ao Gerês e afins. Lembro-me das (muitas) noites em que dormiste comigo. Lembro-me das brincadeiras que tínhamos. Lembro-me das fotos super cómicas. Lembro-me de acamparmos juntas. Vidas incoentes…
 
Depois…crescemos. Ficaste sempre ao meu lado, tal como uma irmã. Depois disso, lembro-me dos desabafos. Lembro-me das conversas deprimentes sobre rapazes. Lembro-me dos almoços e dos jantares de aniversário. Lembro-me que a primeira vez que bebi foi contigo. Lembro-me da primeira vez em que fiquei alegre: foi contigo. Lembro-me das saídas à noite. Lembro-me da primeira vez que fui ao Buddha: foi contigo. Lembro-me dos passeios em que falávamos sobre tudo e sobre nada, horas a fio. Lembro-me das gargalhadas na praia. Lembro-me da (enorme) união do nosso grupo. Lembro-me das idas ao cinema. Lembro-me da primeira vez em que andei contigo de carro. Lembro-me quando vieste cá a casa comer crepes.

Conheces-me tal e qual te conheço a ti: tão bem!
Desculpa as vezes em que te falhei, as vezes em que não te segurei e te deixei cair. Desculpa quando não usei as palavras certas nos momentos certos. Desculpa as discussões que nos levaram à quadratura do círculo. Espero que percebas, mais tarde, que tudo aquilo que fiz foi para o teu bem!
Amo-te sisi ♥

28 de fev. de 2011

#16 LETTER TO SOMEONE THAT'S NOT IN YOUR CITY OR COUNTRY

Priminhos,
Estamos separados pelo oceano, por milhares de quilómetros.
Lembro-me de vos pegar ao colo. Lembro-me dos vossos sorrisos. Lembro-me da forma como faziam os meus olhos brilharem. Lembro-me da forma perfeita com que as vossas mãozinhas pequeninas apertavam o meu dedo mindinho. Lembro-me das lágrimas de saudade. Lembro-me do orgulho que sentia. Lembro-me das vossas birras. Lembro-me das fotografias engraçadas. Lembro-me das brincadeiras: dos desenhos, das bonecas, dos carrinhos, das bolas, do trampolim, das corridas, das cartas,… 


Mas vocês cresceram. Cresceram tanto e tão depressa.
Nelson, és uma criança tão simples, tão querida, tão amorosa. Adoro quando me abraças e me apertas com força. Adoro quando sorris e me dás a mão.
Vanessa, o avô quando vê fotos tuas, confunde-te comigo. Adoro quando dizem que és igual a mim quando eu era pequena, deixas-me tão orgulhosa. És a prima mais linda do mundo. 
Diego, és um miúdo tão lindo! Quando cresceres vais ter montes de meninas atrás de ti, sabes? 


Gostava de vos ver todos os dias. Gostava de vos abraçar sempre que me desse vontade. Gostava de brincar convosco dia e noite. Gostava de vos dar a mão e proteger-vos sempre. Gostava de estar convosco agora e matar as milhares de saudades que tenho vossas.
Tenham juízinho e nunca se esqueçam que eu gosto super hiper mega muito de vocês ♥
P.S. Espero por vocês este Verão! Tios, também tenho muitas saudades vossas :)
(Dava muito trabalho escrever tudo isto em inglês, peço desculpa.)

27 de fev. de 2011

Há muitos tipos de corações.


«Há muitos tipos de corações. Há corações pequenos e tímidos, há corações grandes e abertos, há corações onde é preciso meter requerimentos de papel azul e selo de garantia para abrirem as portas e outros cheios de janelas, frescos e arejados. Há corações com trancas, segredos e sistema de alarme que são como cofres de bancos. Corações sombrios e desconfiados, com fechaduras secretas e portas falsas. Corações que parecem simples, mas quando se entra lá dentro, espera-nos o mais perverso dos labirintos. E há corações que são como jardins públicos, onde pessoas de todas as idades podem entrar e descansar. Há corações que são como casas antigas, cheios de mistérios e fantasmas, com jardins secretos e sótãos poeirentos, carregados de memórias e recordações e há corações simples e fáceis de conhecer, descontraídos e leves, sempre em férias como tendas de campismo. Há corações viajantes, temerários e corajosos, como barcos à vela que nos parecem bonitos ao longe, mas que nos deixam sempre na boca o sabor amargo de nunca os conseguirmos abarcar... Há corações missionários, despojados e enormes. Há corações que são paquetes de luxo, onde o requinte é a palavra-chave para baterem... Há corações que são como borboletas e voam de um lado para o outro sem parar, numa pressa ansiosa de viver tudo antes que a vida se acabe.
Há corações que são como elefantes do zoo, muito grandes, pacíficos e passivos que aceitam viver limitados pelos outros e que até tocam o sino se os tratarmos bem e lhes dermos mimos e corações aventureiros, sempre prontos para partir em difíceis expedições e se ultrapassarem a si mesmos. Há corações rebeldes e selvagens que não suportam laços nem correntes, corações que correm tão depressa como chitas e matam como leoas, e depois há corações gnus, que sabem que vão ser caçados mas não fogem ao seu destino...
Há corações que são como rosas, caprichosas e cheios de espinhos e outros que são campainhas, simplórios e carentes sempre a chamar por afecto. Há corações que são como girassóis, rodando as suas paixões ao sabor do brilho e da glória e corações como batata-doce, que só crescem e se alimentam se estiverem bem guardados e escondidos debaixo da terra.
Há corações que são como pianos, altivos e majestosos onde só tocam os que possuem a arte de bem seduzir. E corações como harpas, onde uma simples festa provoca uma sinfonia.
Há corações incondicionais que vivem tão maravilhados em descobrir a grandeza de outros corações que às vezes se esquecem de si próprios... Há corações estrategas, que batem ao ritmo de esquemas e planos, corações transgressores que vivem para amar clandestinamente e só sabem desejar o proibido e corações conservadores, que só se entregam quando tudo é de acordo com os seus padrões e valores.
Há corações a motor, que vivem só para o trabalho e corações poetas só se alimentam de sonhos e ilusões. Há corações teatrais, para quem a vida é uma comédia ou uma tragédia e corações cinéfilos que registam a beleza de cada momento em frames de paixão.
Há corações duros como aço, sem arritmias, onde nada risca e faz mossa e corações de plasticina que se moldam às formas dos corações que amam. Há corações de papel, bonitos e frágeis que se amachucam facilmente e desbotam à primeira lágrima, há corações de vidro que quando se estilhaçam nunca mais se recompõem e corações de porcelana que depois de se partirem ainda sabem colar os destroços e começar de novo.
Há corações orientais, espiritualizados e serenos e corações ocidentais hedonistas e ambiciosos, corações britânicos onde tudo é meticulosamente arrumado segundo costumes e convenções, latinos que batem ao som da paixão e da loucura.
Há corações de uma só porta que são como grandes casas de família e outros de duas portas, uma para a sociedade e outra para a intimidade. Há corações que são como conventos, silenciosos e enclausurados e outros que são como hotéis, onde se paga o amor sem amor, escandalosos e promíscuos. Há corações parasitas, que vivem do afecto dos outros sem nada dar e corações dadores que só são felizes na entrega.
Mas há ainda uma ou outra espécie de corações, os corações hospedeiros que sabem receber e fazem sentir os outros corações como se estivessem em casa, que dão e aceitam amor sem se fixarem, que tratam cada passageiro como se fosse o último, enquanto procuram o coração gémeo, sempre na esperança, secreta e nunca perdida de um dia deixarem de viajar e sossegarem para a vida.»
                                                                                                                                                     
O teu coração é uma mistura de tudo isto ao mesmo tempo. A cada dia mostras-me um diferente, um mais complexo. Gosto de ti por isso. Gosto de ti até por complicares tudo aquilo que é tão fácil. Gosto de ti porque és tu. Gosto de ti porque…sim.

25 de fev. de 2011

Pontes entre nós.

«E deixava a vida fluir, esquecia-me dos teus defeitos e tu dos meus e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos.
Se eu pudesse, levava-te agora para casa, sentávamo-nos à lareira a conversar e explicava-te porque é que um dia reparei que existias e sem querer me esqueci do meu coração entre os teus dedos.
Se eu pudesse...mas não posso, porque ninguém caminha sozinho, uma ponte só se constrói se as duas margens deixarem e o rio só corre se a corrente o empurrar. E eu não sou mais que uma gota de água nesse rio parado, uma peça perdida de uma ponte desmantelada, um mapa riscado que se esqueceu de todos os caminhos, uma folha em branco que perdeu a caneta, um estandarte sem bandeira, uma voz sem som, uma mão sem a outra. Falta-me a tua voz, o teu desejo, o teu querer, o teu poder. Falta-me uma parte de mim que te dei e que agora já não podes devolver.
Um dia havemos de nos entender.»

Lembras-te de “Eu e tu, perdidos e sós, amantes distantes, que nunca caiam as pontes entre nós”? Lembro-me do sorriso que me deixaste estampado no rosto, lembro-me das recordações todas que me passaram pela cabeça e lembro-me que aquilo que nos unia era forte, forte demais para algum dia cair. Gosto mesmo muito de ti ♥

23 de fev. de 2011

#15 LETTER TO THE PERSON YOU MISS THE MOST

Melhor amigo,
És a minha bóia de salvação, não há nada que te caracterize melhor.
Como qualquer amizade sempre tivemos os nossos momentos difíceis, ataques de ciúmes... sei lá... medo, distância... uma infinidade de coisas. Ultrapassámos? Sempre!
Conheces-me tão bem. Diria até, como a palma das tuas mãos.
Tenho muitas saudades de te ouvir rir.
O papel que tens na minha vida? É o mesmo de sempre, o mesmo que tens desde os meus nove anos.
Odeio quando és casmurro. Odeio quando és orgulhoso. Odeio quando não estás aqui. Odeio não contar-te a minha vida, todos os dias, como o fazíamos antes.
Adoro quando fazes os meus olhos brilharem. Adoro quando me fazes sorrir. Adoro a tua gargalhada. Adoro quando me telefonas. Adoro quando tens ciúmes. Adoro quando me fazes perguntas. Adoro quando contas piadas, às quais sou a única que acho graça. Adoro lembrar-me do nosso primeiro beijo. Adoro dizer que foste o meu primeiro namorado. Adoro quando me contas as tuas peripécias. Adoro abraçar-te. Adoro ouvir a tua voz. Adoro… a forma como me orgulho de ti.
Nós temos aquele tipo de amizades em que não precisamos de estar juntos todos os dias, em que podem passar semanas e semanas, e nada se altera. O teu papel é o teu papel, o meu papel é o meu papel, e saber que ninguém o irá ocupar é a melhor sensação do mundo. Quando me telefonas, eu sorrio e os meus olhos brilham de uma forma inexplicável. Porque percebo que a definição de “nós” não se alterou, e isso faz-me sentir tão bem.



Obrigada pelos melhores seis anos de sempre, Rui <3

21 de fev. de 2011

#14 LETTER TO SOMEONE YOU'VE DRIFTED AWAY FROM

Simples. Dois nomes vieram-me ao pensamento neste momento. Dois nomes únicos, distintos e perfeitos. Apesar disso, vai ser a carta mais difícil de ser escrita.
Renata e Anabela,
Nunca ninguém me conseguiu, até hoje, fazer soltar gargalhadas como as que soltava quando estávamos juntas. Nunca.

Lembram-se de «A água do mar dá uma moca do caralh*»? Lembram-se de «Querem que este reformado novo vos tire uma fotografia?»? Lembram-se dos gelados de quatro bolas? Lembram-se das fotos desprevenidas? Lembram-se das sombras? Lembram-se das tardes a comer bolachas do Lidl? Lembram-se do grande mergulho de roupa? Lembram-se das piadas? Lembram-se das confissões, dos segredos e das cumplicidades? Lembram-se dos medos, das inseguranças? Lembram-se dos abraços, dos fortes apertos de mão? Lembram-se das cusquices, das más-línguas? Lembram-se das sessões de cinema, das pipocas? Eu nunca esqueci.
Aí éramos nós. Fácil. Sem complicações. Sem barreiras. Sem mas nem porquês. O que tínhamos movimentava-se a largos passos, dada a maturidade e a alma que depositávamos.
Mas tudo mudou. Pela força das circunstâncias. Ou, se calhar, por outro motivo qualquer. Houve um dia em que eu percebi que não estávamos tão perto como costumávamos estar e, provavelmente, nunca estaríamos novamente. Isso doeu. Doeu de verdade.
O que havia perdeu-se. Promessas quebraram-se. Ficaram as recordações. Só.
Acima de qualquer outra coisa, o que mais queria era que voltasse a dar certo, como deu durante tantos anos.
No meu coração há um lugar só vosso.
Olhem… se a carta fosse de papel… neste momento estava borratada com as minhas lágrimas estúpidas que teimam em cair.
P.S. Lembro-me de vocês todos os dias. Não se esqueçam disso.


«Ás vezes é preciso se afastar das pessoas que você ama, mas isso não quer dizer que você os ama menos, às vezes, você os ama ainda mais.» 
 













(As fotos não são as mais bonitas, mas o sentimento era o mais puro.)

20 de fev. de 2011

#13 LETTER TO SOMEONE YOU WISH COULD FORGIVE YOU


Não me surgiu ninguém certo para esta carta. Surgiu-me “alguém’s”. Esta é para todos os que estão na minha vida desde sempre, para aqueles que me ouvem todos os dias, que me conhecem como a palma das mãos. É, ao mesmo tempo, para aqueles que estão na minha vida há meses, semanas ou até dias.
Peço desculpa pelos dias de mau humor, pelas coisas ditas de cabeça quente e pelas respostas frias nos dias menos bons. Desculpem pelos ciúmes, pelas inseguranças, pelas paranóias, pelas palavras erradas, pela exigência, pela implicância e pelas birras sem nexo. Desculpem pela imaturidade, pela inconsciência, pelos impulsos, pela teimosia, pela imensidão de imperfeições. Desculpem pelos abraços que me fizeram chorar baba a ranho, desculpem pela fraqueza em momentos difíceis, desculpem por não ter correspondido às vossas expectativas, desculpem pelos afastamentos, e afins.
Gostava de passar uma borracha por cima de tudo isto, mas não posso. Obrigada por nunca me deixarem cair, por nunca me virarem as costas mesmo conhecendo toda a dificuldade que deposito em várias coisas.
Já perdoei erros quase imperdoáveis, obrigada por fazerem o mesmo.

«O maior erro que você pode cometer é o de ficar o tempo todo com medo de cometer algum.»